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Pesquisadores da U of T se voluntariam para ajudar universidade brasileira a construir seu primeiro programa de pesquisa qualitativa em saúde

Denise Gastaldo, Margarida de Aquino Cunha e Rozilaine Redi Lago lado a lado durante encontro na Universidade Federal do Acre.
Da esquerda para a direita: a professora associada da U of T Denise Gastaldo, Margarida de Aquino Cunha, reitora da Universidade Federal do Acre, e Rozilaine Redi Lago, então doutoranda visitante na U of T (foto cedida pela Dalla Lana).

Rozilaine Redi Lago, que há quatro anos foi doutoranda visitante no Centre for Critical Qualitative Health Research (CQ) da University of Toronto, passou a ministrar, depois de concluir a formação, o único curso de pesquisa qualitativa da Universidade Federal do Acre (UFAC), no Brasil.

Mas ela via a necessidade urgente de um programa inteiro — objetivo que Denise Gastaldo e Brenda Gladstone, ambas voluntárias da Academics Without Borders (AWB), ajudam agora a concretizar.

“Ela criou um grupo com colegas de várias faculdades que tinham formação em pesquisa qualitativa e disse: ‘Venham nos ajudar a começar’”, conta Gastaldo, professora associada da Lawrence S. Bloomberg Faculty of Nursing com vínculo também na Dalla Lana School of Public Health.

A região amazônica precisa urgentemente de formação em pesquisa qualitativa em saúde coletiva. A UFAC oferece o único doutorado em saúde coletiva da região, com foco exclusivamente quantitativo. Carente de recursos, a região enfrenta problemas de saúde pública sérios e complexos, que exigem abordagens de pesquisa tanto quantitativas quanto qualitativas.

“Embora venham monitorando doenças endêmicas como malária, dengue e hanseníase, também precisam de informações sobre práticas sociais e culturais para criar programas mais eficazes de prevenção e tratamento dessas doenças”, diz Gastaldo, ex-diretora do CQ.

O acesso à assistência é um problema permanente. Grandes rios cercam a região equatorial. O clima rigoroso dificulta a chegada dos pacientes aos serviços. A região abriga ainda 20 mil habitantes indígenas, que falam mais de 15 línguas e observam normas culturais diversas relacionadas à saúde.

Gastaldo e Gladstone, professora assistente na Dalla Lana, vão dedicar tempo e experiência para ajudar Redi Lago a desenvolver o primeiro e único programa acadêmico de pesquisa qualitativa em saúde da UFAC — e da região.

A AWB é uma organização canadense sem fins lucrativos que trabalha com universidades de países de baixa e média renda em projetos de fortalecimento institucional que ampliam ou aprimoram programas já existentes. A Rede AWB, um consórcio de universidades e colleges canadenses que apoiam sua missão, oferece a acadêmicos a oportunidade de participar desses projetos como voluntários ou de propor novos projetos à AWB.

A rede também conecta as necessidades das universidades aos especialistas das instituições participantes. As primeiras voluntárias da U of T na rede vão apoiar a universidade brasileira com mais e melhores oportunidades de formação em pesquisa qualitativa.

“Eles têm um dos melhores programas de saúde coletiva da região, e é por isso que estavam tão interessados em uma colaboração melhor”, diz Gastaldo.

Ela apoiou a gestão da universidade na elaboração de um plano de formação. Agora, os coordenadores do programa da UFAC discutem a criação de disciplinas de mestrado e doutorado. Nos próximos meses, as duas professoras da Dalla Lana vão trabalhar com docentes e estudantes no desenvolvimento de um novo currículo.

“Temos grandes expectativas para esta colaboração”, diz Gastaldo. “Esperamos que os estudantes se tornem orientadores e professores no Acre e na região amazônica. O currículo interdisciplinar do CQ é uma inspiração para programas de pós-graduação em outros países. Há grandes oportunidades para que pesquisa qualitativa de alta qualidade seja realizada no Acre num futuro próximo.”

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